Artigo

Um ano sem a presença de nossos amigos


27/03/15

Quando o delegado Antônio Gonçalves aceitou o meu convite para ser o  Superintendente de Polícia Judiciária da Polícia Civil, não imaginava  que seria uma convivência tão intensa e tão curta! Desde a época da Academia de Polícia, quando estava no curso de formação para Delegada, observando a conduta daquela figura humana,  aprendi a admirá-lo e respeitá-lo. Costumava dizer para ele: - O senhor é meu exemplo de líder e chefe. Um dia eu ainda quero ser uma chefe com o senhor é!

Dr. Antônio Gonçalves Pereira dos Santos teve na Polícia uma carreira exitosa. Diferente de muitos, ele ingressou primeiro na Polícia Militar como soldado, depois passou em concurso para agente da Polícia Civil e sargento da PM,  optou por ser agente  e depois de formado em Direito,  fez concurso e ingressou na carreira de Delegado. Dizia com orgulho que era  Policial Civil . Trabalhou em várias delegacias em todo o  Estado, o que  lhe deu experiência e reconhecimento. Em uma época em que não se discutia políticas públicas como hoje,  implantou na Delegacia Estadual de Combates a Entorpecentes - Denarc , um trabalho de atendimento psicológico aos usuários, dependentes químicos que por lá passavam; no período em que esteve na Delegacia de Investigações Criminais – Deic , seu trabalho ganhou repercussão internacional ao  comprovar com provas científicas  sequestros de bebês.  Era admirado  dentro e fora do nosso Estado.

Contudo,  mesmo diante de  todo prestigio alcançado, Dr. Antônio Gonçalves tinha a simplicidade como forma de vida. Tratava a todos, sem distinção, com a mesma atenção e educação. Chegava a ser paternal com seus colegas de profissão,  para o Dr. Antônio todas as pessoas eram boas, sem defeitos! E era assim que ele agia no dia-a-dia,   humanizando os ambientes em que as pessoas acostumavam a conviver com a violência banalizada.

Antônio Gonçalves  era acima de tudo um  gestor público de visão. Numa entrevista ao site do Sindepol -  Sindicato dos Delegados de Polícia de Goiás, quando foi indicado em lista tríplice para ocupar o cargo de Delegado Geral de Polícia, fez uma análise tão clara da realidade policial goiana, o que ainda hoje, muitos têm dificuldades de enxergar. Falou da importância do trabalho em equipe, da necessidade de investimentos na estruturação das delegacias e consequentemente da valorização dos profissionais policiais; demonstrou ser um  homem democrático e moderno defendendo as eleições diretas para o cargo de delegado e a importância dos órgãos sindicais para a transparência da Polícia, acreditava em  uma corregedoria forte e além de tudo defendia mudanças estruturais na política de promoção dos policiais. Esse era o profissional que eu admirava e tinha como meu braço direito à frente da Polícia Civil.

Era 08 de maio, preocupada com a eminência de uma greve policial, decidi ficar em Goiânia. A equipe de policiais saiu de madrugada para que pudesse aproveitar melhor o tempo. Ainda no horário do almoço  lembrei –me de falar com eles por telefone  para saber se já tinham almoçado. Passavam das três horas da tarde,  quando Dr. Antônio ligou para o meu celular e falou com o policial Gomes – meu marido – comunicando  que o trabalho tinha sido concluído e que  já estavam retornando a Goiânia.  Pouco mais de trinta minutos se passaram da última ligação, quando começaram a chegar informações desencontradas sobre um acidente aéreo nas imediações da cidade de Piranhas. Tentávamos  contato com eles, com as delegacias das cidades próximas. Desespero, ansiedade. Vazio diante da confirmação da tragédia. O tempo parou. Não dava para acreditar, como poderia ser? Em questão de horas tudo perdeu o sentido.   Mortes. Dores. Vidas que se foram.

Até hoje me pego pensando em como Dr. Antônio Gonçalves enxergaria um problema   e  me aconselharia numa tomada de decisão. Sinto sua falta!  Não há como preencher o vazio deixado pelas vidas que se foram. Não há como preencher o vazio daquele que foi meu colega de profissão, meu professor, meu braço direito e antes de tudo, meu amigo. Fazer a memória desse nobre policial é também lembrar com saudades e carinho de cada um de nossos heróis que perderam suas vidas no exercício do ofício: Delegado Jorge Moreira, Delegado Carrasco, Delegado Bruno  Carneiro, Delegado Vinícius Batista, Perito Marcel de Paula, Perito Fabiano de Paula. Sigam em paz!

Adriana Accorsi

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