Artigo

Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa


27/03/15

Dados do IBGE de 2011, dão conta que 7,4% da população brasileira tem mais de 65 anos. Na região Centro Oeste a população nessa faixa etária é de 5,8%. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, quando mais de 7% da população é de idosos, esta população é considerada envelhecida. Projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações),  estimam que em 2050, para cinco pessoas, uma será idosa. O Brasil, que até bem pouco tempo era considerado o país do futuro, está envelhecendo e necessita urgentemente de políticas públicas de inclusão  da Pessoa Idosa.

A fase da vida humana conhecida como terceira idade traz mudanças físicas e psicológicas que naturalmente deixam as pessoas mais vulneráveis. Infelizmente e em consequência disso,  a pessoa idosa fica propensa  ao fenômeno da violência. Tal fenômeno  acarreta baixa qualidade de vida, estresse psicológico, falta de segurança, lesões e traumas, bem como o aumento da morbidade e mortalidade. As pessoas idosas estão mais expostas a  vários tipos de violência principalmente a violência física,  psicológica, a tortura, a violência sexual, ao tráfico de seres humanos, a violência financeira e a negligência – tão freqüentemente identificada como abandono.

Outro dado significativo, é que entre as pessoas idosas, as mulheres  estão mais suscetíveis à violência. Quando vítimas de maus-tratos, praticadas pelos familiares,  em virtude de sua fragilidade física e emocional, temem em denunciar seus agressores por medo de sofrer represálias e por alimentarem um sentimento de afeto com seus algozes (maridos, filhos, netos, namorados).

Segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, no ano de 2011, das denúncias registradas pelo Disque 100, houve um aumento de mais de 100% em relação à violência contra a pessoa idosa; dentre os tipos de violência identificados, a negligência ocupa o primeiro lugar no número de denúncias, seguida da violência psicológica e do abuso financeiro, econômico e patrimonial. A casa, que para todos nós é vista como o nosso Porto Seguro, nem sempre o é para a pessoa idosa. No quadro de informações sobre o cenário em que os crimes acontecem, a casa é o lugar em que elas mais ocorrem, registrando 91,86% dos casos.

Em Goiás, dados da Polícia Civil, demonstram que existe uma subnotificação, face ao pequeno número de registros que se contrapõem à realidade cotidiana dos hospitais e unidades de saúde da capital, muitos deles, de tão graves que são, ganham repercussão na mídia. De acordo com as estatísticas, em Goiânia no ano de 2012 foram registradas em média, por mês 2,75 ocorrências, enquanto que em todo o estado a média foi de 8,0 ocorrências por mês.

Por ocasião do dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa (15) e no ano em que se completa 10 anos da aprovação do Estatuto do Idoso pelo Congresso Nacional, faz-se urgente que Poder Público e Sociedade Civil busquem caminhos que garantam às pessoas idosas uma vida com dignidade. Ações, programas, projetos numa  perspectiva inclusiva, que reconheçam o protagonismo da pessoa idosa e possibilitem a todos nós exercermos o que nos faz humano, é também reconhecer que a terceira idade não é uma opção, é uma condição de quem está vivo.

Não podemos nos omitir diante dessa realidade cruel, como afirma a Secretaria Especial de Direitos Humanos, precisamos nos conscientizar  que  uma das maiores conquistas culturais de um povo em seu processo de humanização é o envelhecimento de sua população e todo o acúmulo de experiências e conhecimento que dela herdamos. 

Adriana Accorsi quando era Secretária Municipal de Defesa Social

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