Artigo

Mulher: O que temos a Temer?


08/03/17

A instituição do dia 08 de março como dia Internacional da Mulher no ano de 1975, pela Organização das Nações Unidas, delimita uma data simbólica para uma luta que não é de agora, perpassa séculos. A mulher que ao longo da história sempre foi vista como propriedade dos homens, com a revolução industrial e a sua inserção no mundo do trabalho, passa a reivindicar seus direitos, seja na esfera do mundo privado, ou público.

O mês de março é sempre momento de reflexão sobre nossas conquistas e nossos desafios, temos muito a comemorar e ainda falta muito a conquistar. Prova disto é a presença das mulheres nos espaços de poder públicos e privados. Seja ocupando os cargos de direção nas empresas privadas, no Legislativo, no Executivo ou em espaços historicamente masculinos, como a polícia.

A mulher conseguiu alcançar a igualdade com os homens em quesitos importantes como saúde e educação, mas embora chegue ao mercado de trabalho com um melhor ou mesmo nível de preparo que os homens, enfrenta barreiras, sendo a mais grave, a salarial.

A falta de estimulo na ocupação de espaços de poder, como a política, pelas mulheres mostra a dificuldade da presença igualitária de gênero, mesmo com políticas de inclusão como a Lei das Cotas, a participação da mulher na política em nosso país é muito pequena. Em todas as instâncias do Parlamento brasileiro, não representa nem 10% das cadeiras. Dentre as causas está a herança cultural baseada no patriarcado.

A luta feminina não acabou, ela é diária, porque as injustiças ainda persistem e precisamos nos organizar na busca por igualdade de direitos e oportunidades no mundo do trabalho, na participação política e, sobretudo, na superação da violência doméstica.

No Mapa da Violência de 2015, Goiás ocupava o 3º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres os números assustadores revelam uma epidemia social que precisa ser enfrentada. A violência doméstica é um problema a ser enfrentado e combatido diariamente.

A violência doméstica em Goiás é um dos maiores desafios para mulheres e meninas com números muito graves e infelizmente a sua forma mais trágica, que é o feminicídio, vem crescendo muito e me preocupa, pois nosso estado deve passar em 2017 de terceiro para o segundo ou até primeiro estado que mais mata mulheres no país.

 O machismo, que todos os anos corrói, mutila e mata centenas de mulheres no Estado, destrói famílias inteiras, traumatiza os filhos e gera diversos problemas sociais, precisa ser amplamente combatido, por isso apresentei Projeto de Lei, na Assembleia Legislativa, que institui a Campanha permanente de combate ao machismo e pela valorização das mulheres na rede estadual de ensino. Para a implementar a campanha, cada unidade escolar criará uma equipe multidisciplinar que contará com a participação de docentes, alunos, pais e voluntários, no propósito de promover atividades didáticas, formativas, informativas, de orientação e conscientização sobre os direitos das mulheres, bem como estimular o combate ao machismo.

No último dia três de março foi noticiado que o estupro de vulnerável poderá ter pena reduzida através de um projeto de lei visa naturalizar a violência machista e ser conivente com a cultura do estupro no país recorde em feminicídios e abusos sexuais. A mudança na lei permitirá a objetificação dos corpos ao relativizar os atos dos abusadores e, portanto, culpabilizar as vítimas.

Sou contrária a essa modificação no arcabouço legal que retira direitos adquiridos pelas mulheres pois a punição severa e sem atenuantes é uma das alternativas que temos no combate à violência doméstica sem deixarmos de lado as políticas públicas contidas no Plano Nacional de Combate a Violência contra as Mulheres que prevê não só ações repressivas, mas, sobretudo, assistência social, jurídica e psicológica para as vítimas, e também para os agressores.

Os dados divulgados do estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que as mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido à dupla jornada, de tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da taxa de escolaridade delas ser mais alta, a jornada também é e geralmente isso não se aplica a remuneração salarial. Apesar disso, a Reforma da Previdência proposta pelo governo Temer impõe idade mínima de 65 anos - a mesma para homens e mulheres - de aposentadoria no Brasil.

Mulheres e homens precisam estar juntos e aproveitar este momento de reflexão, dar a nossa contribuição para termos um país, um estado e uma cidade mais igualitários, onde todos possam viver com justiça e paz sem que as mulheres tenham que Temer e estar em condições vulneráveis por serem do sexo feminino. 

Adriana Accorsi é delegada de polícia, deputada estadual (PT) e Presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.

 

 

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