Artigo

Mulher: vitórias e desafios


08/03/16

A história das conquistas das mulheres no Brasil e no mundo é de vitórias, de luta e de união. O dia 8 de março, nesta terça-feira, é sempre momento de reflexão sobre nossas conquistas e nossos desafios. Temos muito a comemorar. Prova disto é a presença das mulheres nos espaços de poder. Seja no Legislativo, seja no Executivo ou em espaços historicamente masculinos, como a polícia.

Mas ainda existem muitos desafios: a mulher no mundo do trabalho exercendo a mesma função que os homens e recebendo menos e ainda cumprindo jornada dupla de trabalho. De acordo com previsão do Fórum Econômico Mundial, caso o ritmo das transformações continuem o mesmo, apenas em 2095 teremos igualdade de gênero no trabalho em todo o mundo.

A presença igualitária das mulheres nos espaços de poder, como a política, é outro desafio. Mesmo com políticas de inclusão como a Lei das Cotas, a participação da mulher na política em nosso país é muito pequena. Em todas as instâncias do Parlamento brasileiro, não representa nem 10% das cadeiras. Dentre as causas está a herança cultural baseada no patriarcado.

Ao homem é dado o direito de ir às ruas, fazer política no sindicato, no partido, ou como representante do povo, sem que tenha de se preocupar com os filhos, com a casa, com os cuidados com a família. Para ele esta participação é natural. Já as mulheres que querem fazer política precisam na sua grande maioria fazer opções. Não têm a mesma liberdade nem apoio familiar para exercer as atividades políticas como o homem. Sem contar como se dá o jogo político.

As mulheres que conseguem superar todas estas barreiras e estarem presentes no mundo da política têm de conviver cotidianamente com preconceitos, atitudes discriminatórias e de desqualificação de seus pares. As ofensas às parlamentares femininas têm sempre um viés que passa pela vida privada, baseados em adjetivos pejorativos.

Mas o principal desafio a ser enfrentado é a violência doméstica contra as mulheres, que todos os anos, mata, mutila centenas de mulheres no Estado. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, Goiás ocupa o 3º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres. Entre 1980 e 2013 foram assassinadas em todo o país 106.093 mulheres, 4.762 só em 2013. São números assustadores que revelam uma epidemia social que precisa ser enfrentada.

Deve haver de fato, uma política de Estado que vise coibir tais crimes. A punição severa e sem atenuantes é uma delas, mas não podemos deixar de lado as políticas públicas contidas no Plano Nacional de Combate a Violência contra as Mulheres que prevê não só ações repressivas, mas, sobretudo, assistência social, jurídica e psicológica para as vítimas, e também para os agressores. Vamos todos juntos aproveitar este momento de reflexão, mulheres e homens, e dar a nossa contribuição para termos um país, um Estado e uma cidade mais igualitários, onde todos possam viver com justiça e paz.

Adriana Accorsi é delegada de polícia e deputada estadual (PT).

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